Aula de cultura napolitana: NAPULE

Esta é mais uma canção que GIGI D’ALESSIO compôs para Nápoles, sua cidade natal, repleta de lendas, histórias e superstições.

Na 1ª estrofe, Gigi conta a origem da pizza Margherita, feita de improviso para a rainha Margarida (1851 – 1926), com as cores da bandeira italiana: branco (mozarela), vermelho (tomates) e verde (basílico/ manjericão).  Aparece, ainda, Masaniello, uma das figuras mais populares da tradição napolitana, que liderou com êxito, em 1647, uma revolução contra o domínio espanhol. Também, o mais típico doce napolitano: o BABÀ (feito com muito rum – 1 delícia).

Na 2ª estrofe, aparecem SÃO GENARO, nascido em Pozzuoli (região de Nápoles), e como ele conteve o vulcão VESÚVIO (ponto turístico de Nápoles, cuja erupção soterrou a cidade de Pompéia em 79 dC) e TOTÓ (Antonio de Curtis, grande artista  - ator e compostor – denominado PRÍNCIPE DE NÁPOLES que, nas madrugadas, colocava dinheiro sob as portas das casas das famílias pobres de Nápoles)

Na 3ª estrofe. Surgem 2 mitos da música italiana: Enrico Caruso, o grande tenor, cuja dimensão  mítica foi reforçada por Lucio Dalla em sua composição CARUSO. Dalla contou e recontou em entrevistas que certa noite, hospedado no mesmo hotel em que Caruso ficava, olhando o GOLFO DE SORRENTO (um dos lugares mais lindos na região sul do golfo de Nápoles), teve uma inspiração inexplicável (parecendo ser o próprio Caruso quem o intuía) e escreveu a famosa canção, que hoje o mundo inteiro conhece.

O refrão descreve a belíssima cidade que transpira beleza natural e história em seus muros, onde cada ponto importante é marcado por placas e outras referências [daí: nos muros dos becos se pode ler a história desta bela cidade] e todos contam as “lendas e fatos” que fazem o folclore e o encanto de toda essa região.

Seguem a letra original em napolitano e a tradução:

Napule                                                                             Nápoles

Chillu jorno nu rré e na riggina

partettene a fore venettene ccà

Fuie na festa e pe for'e balcone

nu sacco e bandiere pe tutt'a città

Masaniello purtaie nu babà

ma a riggina vuleve mangià

Fuje accussì ca cu ll'acqu'e a farina

nu bellu guaglione e facette ncantà

Po guardaie da bandiera e culure

pensaie nu numento dicette Maistà

Mo ce metto ddoie pummerulelle

cu sta muzzarella e na fronna d'està

Po nu furno vulett'appiccià

dduie minut'e va faccio assaggià

Chella pizz'a nventaje pe reggina

perciò margherita l'avetta chiammà

 

Napule

t'ho raccontato Napule

Nfaccio e mure de viche

può lleggere a storia e sta bella città

 

 

Gennarino a Pozzuoli cresceva

parlava ca ggente sultanto e Gesù

Ma c'è steve chi nun c'è credeva

e nu juorno e settembre o vuletto affruntà

Contr'o riavolo niente può ffà

ma sapeva ca Dio steve llà

E accussì mparaviso sagliette e o Vesuvio

che mmane sapette fermà

C'era un principe senza casato

che aveva cambiato la sua identità

Diventato un attore importante

pe tutta sta gente era il grande Totò

E cuntento morì in povertà

p'ajutà tanta gent'a campà

Chillu principe ricco ind'o core

ma quant'allegria cia saputo purtà

 

 

Una notte ero in barca a Surriento

in un mare elegante vestito di blu

Sotto un cielo pezzato di stelle

da un vecchio palazzo qualcuno cantò

Una voce cantava per me

non vedevo nessuno perchè

Era il canto del grande Caruso

che il mare l'aveva tenuto per sè

 

E accussì te mettist'a sunà

ddoie parole sapiste nuentà

Sta canzone ca e scritt'a Surriento

oramai tutt'o munno t'ha sapè cantà

 

Naquele dia um rei e uma rainha

Partiram de longe e vieram para cá

Acontecia uma festa e nos balcões/terraços

Havia um monte de bandeiras por toda a cidade

Masaniello trouxe um babá (doce típico napolitano)

Mas a rainha queria comer

E foi assim que com água e farinha

Um belo rapaz a deixou encantada

Então ele olhou uma bandeira colorida

Pensou um momento e disse:Majestade,

coloco 2 tomatinhos, com esta mozarela e 1 folhinha de manjericão

Colocamos no forno e em  2 minutos eu a faço experimentar/saborear.

E essa pizza ele inventou para a rainha,

Por isso ela tem o nome de Margarida (nós a chamamos margarida)

 

Nápoles

Isso te conta (a própria) Nápoles,

Onde, nos muros dos becos, se pode ler a história desta bela cidade

 

 

 

Genarinho (São Genaro) em  Pozzuoli crescia

E só falava de Jesus com as pessoas

Mas tinha alguém que não acreditava nele

E num dia de setembro quis afrontá-lo

Contra o diabo nada se pode fazer

Mas ele sabia que Deus estava lá

E assim subiu ao paraíso e o Vesúvio

com as mãos soube parar

Existia um príncipe sem estirpe

Que tinha mudado sua identidade

Tornou-se um ator importante

Para a cidade inteira era o grande Totó

Que contente morreu na pobreza

Para ajudar tanta gente a viver

Aquele príncipe rico de coração

Quanta alegria soube trazer

 

 

Uma noite, estava num barco em Sorrento

Num mar elegante vestido de azul

Sob o céu salpicado de estrelas

De um vellho terraço alguém cantou

Uma voz cantava para mim

Não via ninguém porque

Era o canto do grande Caruso

Que o mar tinha guardado para si

 

E assim começastes a tocar

2 (algumas) palavras soubestes inventar

Esta canção que escrevestes em Sorrento

Agora todo o mundo a sabe Cantar

 

 

Vejam o vídeo da gravação da música com a participação dos 3 famosos “cantautores” napolitanos (Gigi Finizio, Gigi d’Alessio, Sal da Vinci) e do próprio Lucio Dalla.

http://www.youtube.com/watch?v=hWtL6nfV5HM

 

E imagens da cidade de Nápoles, das personagens, da pizza etc  ilustrando a canção:

http://www.youtube.com/watch?v=1Fb05Vt8VBg&feature=related